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A bruxa do fogo e a bruxa das ervas (Relato de Regressão, parte VI)

Mais 2 vidas minhas, uma passada na pré-história e outra em algum lugar no tempo que não consegui identificar.





DINAMARCA, PRÉ-HISTÓRIA


Sou bruxa em um lugar muito frio e escuro. Uso um capacete de crânio muito grande que cobre meu rosto até o nariz, e é de um bicho enorme e chifrudo. Estou nua, me cubro com peles peludas. Muita neve.


Vivo em uma caverna e não falava, só grunhia, como um urso. A minha função era conseguir e proteger o fogo. Saber onde tinha fogo, fazer fogo, proteger a chama. Acho que era na Dinamarca ou na Noruega, e faz muito, muito tempo.


Apesar da minha função ser a de proteger o fogo, sentia muito frio o tempo todo. Nessa encarnação eu morri jovem, algum acidente com o fogo. eu estava com frio e queria me esquentar. Apesar de saber que o fogo era da tribo, usei o fofo para me esquentar e alguma coisa errada aconteceu que eu morri. Morri com a sensação de que eu tinha traído a minha tribo. Fiz algo que eu não poderia ter feito.


Fiquei andando pelas florestas com muito frio, eu não sabia como sair dali, mas sabia que eu tinha morrido. As pessoas eram muito peludas e descabeladas, é um tempo muito antigo, Minha tribo não me culpou pelo uso do fogo, pois ele nem apagou, eu é que fiquei me martirizando. Me enterraram, ou deixaram o meu corpo perto da caverna, e eu fiquei perto dos meus ossos. Eu mexia nos meus fêmures como um gato mexe em gravetos.


Alberto, no chalé, me diz: Você está vendo tudo isso porque na verdade o problema foi dentro da sua cabeça, você está acumulando muita culpa, quando na verdade você não teve culpa.


Eu não consigo aceitar o que ele diz, porque agora lembrando de outra vida, sinto ainda mais culpa.


Eu não quero mais ter posição de magia, pois acho que só faço coisas erradas, não quero mais mexer com isso.


FLORESTA


Fui uma curandeira que vivia na floresta, e vivi bastante. Eu fazia unguentos e as pessoas me procuravam para se curar. eu era uma pessoa sozinha, não vivia com ninguém só queria ficar sozinha. é uma floresta bem bonita, não dá para ver o céu por causa da copa fechada das árvores, mas a luz passar filtrada pelas folhas.


Me sinto muito cansada. Saí para colher ervas e não tenho forças para voltar. Decido ficar ali no chão mesmo, sobre as folhas. Deitei. Veio um animal me cheirar, me empurrar com o focinho. é uma corça, ela deitou do meu lado, eu olho para o céu e peço para morrer, mas não posso morrer, tinha prometido fazer uma poção para alguém que viria buscar a tarde.


Mas estou tão cansada, só queria deitar e dormir.


Consegui levantar, a corça me empurra com o focinho, me ergui e voltei para a cabana escura. Fiz a poção, deixei em cima da mesa e fui deitar, virada para a parede. Me cobri com as peles, pois estava com muito frio.

Acordei e estava de noite, eu estava deitada no chão na floresta e minha cabana não existia mais. Era noite de lua cheia. A corça está perto de mim, me olhando, não me sinto mais tão cansada. Devo ter morrido, e deve ter passado muito tempo, pois a cabana nem existe mais, mas a corça está comigo.


Achei uma pedra marcada com runas em uma parte da floresta; meu corpo estava enterrado ali. Passei a mão pelas runas, e pensei: E agora, faço o que?


Deitei nas folhas com a corça ao meu lado. Abracei ela e encostei a cabeça no corpinho dela. Estou triste, me sinto sozinha, passei a vida sozinha e agora não tenho ninguém a quem chamar, para perguntar. E quando penso nisso, escuto passos, e vejo Alberto vindo na minha direção. Ele parece brilhar na floresta noturna. Ele agachou perto de mim e estendeu a mão e disse: Vem comigo, você não está sozinha.


Desenho que fiz deste momento de resgate.


Eu quero levar a corça, ele ri e diz que a corça já estava comigo, que eu não precisava me preocupar.


A corça tinha sumido.


Agora estou na cabana, noite de lua cheia. Estou tomando algo quente com cobertas nos ombros. Perguntei para ele onde era aquela cabana, ele só disse que era no plano espiritual.


Perguntei quem ele era, ele disse que era um amigo, e que nos conhecíamos há muito, muito tempo, e ele estava sempre me ajudando, apesar de nessa vida eu não ter sentido a presença dele em nenhum momento (porque eu nunca procurei), ele estava sempre comigo.


Ele disse que eu não deveria ter passado a vida inteira sozinha, eu poderia ter feito amigos, ter feito uma família, eu não precisava ter me isolado como eu fiz. Eu achei que isso me desviaria da minha função de curandeira, por isso não quis.


Comentei que eu realmente queria ter tido alguém para me fazer companhia, uma família, sei lá, mas a minha única companhia era a corça.


Ele disse que ELE ERA A CORÇA, que aparecia como uma corça para me ajudar e me fazer companhia.


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Foi com estas visões que tive certeza de que eu não estava inventando as vidas que via, pois a visão da vida da bruxa das cavernas foi tão forte, tão vívida...as pessoas da tribo eram tão diferentes dos seres humanos que somos hoje, até o meu raciocínio era diferente...era mais, truncado, sei lá. Eu não racionalizava muito, eu só agia (embora a culpa eu tenha carregado direitinho, né?)



2 comentários

2 comentarios


Maria
Maria
23 nov 2022

E esse desenho é tão, tão lindo!

Demais🥰

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wal.rgouveia
wal.rgouveia
22 nov 2022

Obrigada por partilhar suas experiências tão profundas. Fico sempre muito emocionada. Aprendendo demais com seus relatos… 💛

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