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  • Foto do escritorHigen

A Pira Funerária (Relato de Regressão, parte X)

Aqui descobri mais detalhes da origem da minha alma e do meu mentor.



Estou em um barco.

Ah, entendi. Alberto (meu mentor) quer me mostrar. É para eu ficar quieta.


Estou em um barco, vejo baleias no mar, estamos em alto mar.

Acho que sou mulher, e estou em um barco cheio de homens. Os caras parecem vikings, mas não esses vikings Faria Limers, é um povo peludo mesmo. Acho que eles estão me levando pois serei queimada junto com alguém que morreu. Estou resignada, nem feliz, nem triste.


Eles enfeitaram meus cabelos louros com flores pequenas, mas minhas mãos estão amarradas na frente do corpo com uma corda grossa. Uso um vestido fino (tecido simples e não grosso) e claro.


É final de tarde, está nublado, um céu carregado, mas dá pra ver o pôr do sol laranja.

Um dos homens do barco está olhando para mim. Acho que tinha algum tipo de interesse nesse rapaz, mas era só interesse, não éramos um casal. Mas como eu tinha sido escolhida para o sacrifício, então eu nem olhava na direção dele, para não piorar a situação.


Antes de eu sair da minha aldeia, uma velha que me arrumou me disse que eu seria a noiva de Odin, e eu só pensava que não queria ser noiva de Odin nenhum, só queria continuar viva e de boa.


Eu percebi que se eu fizesse algum sinal, o cara que gostava de mim daria um jeito de me soltar, e isso com certeza iria acabar matando-o. É por isso que eu só olhava para baixo.

O barco parou em uma praia, é um lugar bem feio. Parece Mongaguá. Cheio de pedra ao invés de areia.


A pira funerária já está pronta, um monte de gente em volta com tochas. A pira é uma plataforma de madeira alta, com um poste de madeira. O corpo do morto já está lá.


Está quase anoitecendo.


Me amarraram no poste. Observo o sol se pôr, ele está bem lindo.

Pior que eu nem tinha nenhuma ligação com o cara que morreu, só me colocaram lá porque eu era bonita.


Olhei para o rapaz que gostava de mim, e ele começou a dar machadadas em todos em volta.


Não, na verdade isso não aconteceu. Imaginei o que aconteceria se eu olhasse para ele, seria morto em menos de 1 minuto.

Preferi ficar olhando para o sol.


Acenderam a pira.


Vi as chamas subindo pelo vestido. Como estava muito frio, o calor estava gostoso kkkk.


Acho que antes das chamas chegarem na minha cintura eu já estava morta, mas não senti nada. Vi as chamas subindo, mas fiquei olhando para o pôr do sol. Estou quieta.


As pessoas que estavam na praia ficaram embaçadas, parecia que estavam se dissipando em uma fumaça dourada. Mas eu estava hipnotizada pelo pôr do sol, estava muito bonito.


Apesar de tudo, esse foi o único momento na minha vida em que me senti livre.


Estou presa nesse momento. Estou sozinha, em cima da plataforma, mas não tem fogo, nem corpo, nem ninguém.

A praia está vazia, não sei se passou algum tempo ou estou em outra dimensão, pois só tem a plataforma na praia e os barcos que trouxeram o povo no mar.


Estou ali em cima porque não sei o que fazer. Posso descer dali?


Ouço a voz de alguém falando que a hora que quisesse, eu poderia descer dali.

Olhei e vi alguém sentado em uma jangada na praia. Era o Alberto.


Ele disse que no lugar de onde viemos o Sol era muito importante, a luz do Sol era muito venerada, muito cultuada, principalmente nos finais de tarde. E que eu especialmente era atrelada a esse tipo de energia, por isso que esse momento do dia sempre me impressionava e eu sempre dava um jeito de me conectar com algo que me fazia bem.


Ele diz que por isso conseguiram conciliar que o funeral acontecesse no pôr do sol, pois assim eu não sentiria a passagem, e seria mais tranquilo para mim.





Ele fala que cada momento do Sol tinha uma energia específica e que eu era muito atrelada a energia do poente, e era uma coisa que eu sempre deveria procurar quando precisasse me reenergizar, reconectar, de força e alento.


Desci da plataforma, cheguei perto dele e perguntei por que minhas roupas não estavam queimadas.

Ele falou que isso já tinha acontecido há muito tempo. E que eu tinha ficado por ali, parada, por muito tempo.


Perguntei do rapaz que eu gostava, ele respondeu que ele acabou morrendo em guerra, quase como um suicídio, mas que não tinha como eu encontrar ele agora, pois ele tinha morrido muito atormentado e naquele momento estava em outros lugares e não poderíamos nos encontrar tão cedo.


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