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O Nosso Treino ♥ Entre Impulso e Escolha

Outra noite tive um sonho do tipo que acontece pra quase todo mundo: simples, digestivo, e que por ser tão simples, nem sempre reconhecemos o quão educativo ele pode ser.


No sonho havia um carro vermelho parado com o freio de mão puxado. Ainda assim, ele ia lentamente para trás, e eu precisava ficar atenta pra que toda vez que isso acontecesse, eu pudesse frear antes que ele batesse.

Quando acordei, fui pra sensação no corpo: e o que chegou foi  'auto-observação'.


Nesses últimos dias tenho sentido uma leveza diferente. Uma alegria mais silenciosa. Não que tudo está perfeito - muito pelo contrário. Desafios seguem acontecendo por aqui.

Mas isso não está me capturando da mesma forma.

E sinto que esse é um chamado não só pra mim, mas pro coletivo neste momento:

Aprender a se ‘descolar’ do apego ao sofrimento.

Profundo.

Porque aprendemos a viver emocionalmente dependentes do externo. Algo bom acontece e ficamos felizes… mas logo a mente já começa a prever a queda, a perda, o problema que pode surgir depois. Existe até uma tensão inconsciente durante a própria ‘alegria’ porque realmente, por ser externa, nós sabemos lá no fundo que ela não tem como permanecer.


Então vivemos oscilando, surfando nas ondas dos acontecimentos. Felizes quando o mundo colabora. Tristes quando a coisa muda. E sofrendo constantemente não apenas pelo que acontece, mas pelo universo infinito que imaginamos e que quase nunca chega a existir.


Mas eu sinto: um outro caminho começou a se abrir pra muitos seres sensíveis. E estamos nos tornando capazes de receber a vida, reconhecer os movimentos internos diante dos acontecimentos, mas saber 'frear' antes que esses movimentos nos arrastassem de novo para lugares que não precisamos mais habitar.


Começou - mas requer que façamos a nossa parte, que basicamente é t r e i n o.

O treino de voltar.

De novo e de novo.

Porque existe sim uma tendência automática de cair no sofrimento conhecido e não é porque 'aconteceu alguma coisa'. Não porque tem algo errado, não porque ‘o inimigo’ atacou. Mas porque é muito tempo repetindo a mesma coisa.


O sonho me fez conectar e sentir: o carro ainda tende a voltar para trás. Mas agora existe consciência suficiente para frear. E esse é o treino.

Perceber quando a mente começa a montar toooodo um palco, e escolher não alimentar isso. Não que seja fácil, mas agora há escolha.

Notar quando um pensamento ou emoção intensa tenta puxar a atenção pro medo e dizer ‘opa... aqui não.’

 

Poder me dar conta disso é uma dádiva. E reconheço as práticas que têm me ajudado tanto. Meditar. Orar. Escrever. Partilhar sonhos. Me sentar entre mulheres quando a lua enche e esvazia. Exercitar. Coisinhas pequenas, simples, mas que me nutrem a alma.


O que nutre a sua alma? Você tem clareza?

 

Os sonhos são um portal de intimidade com o universo interior. Eles revelam movimentos que muitas vezes passam despercebidos no barulho da rotina. É um desafio do nosso tempo, permanecer consigo o suficiente depois de acordar e se dar esse espaço pra receber, sentir...


Mas é nesse tipo de retorno que a consciência pode se reorganizar.


E que bênção, um sonho poder trazer clareza de um movimento se formando, antes do desastre da colisão.


Que bênção, expandir a consciência a ponto de não mais me abandonar, de ter escolha quando antes eu só era arrastada pelas circunstâncias. A mente ainda pode tentar voltar para trás. Os velhos caminhos ainda podem aparecer. Os hábitos emocionais ainda existem. Mas junto, tem mais consciência.

E isso muda tudo.


E você? Lembra do teu sonho dessa noite?


 
 
 

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